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“Imagem Aerea” 5ª Pedalada Pela Natureza em Alta Floresta D’Oeste

"Imagem Aerea" 5ª Pedalada Pela Natureza em Alta Floresta D’Oeste

“Imagem Aerea” 5ª Pedalada Pela Natureza em Alta Floresta D’Oeste

Figura 1: O sapo-cururu (Rhinella schneideri). Foto: Luiz Turci

Certos animais acabam sendo mal vistos pelas populações, sendo considerados “não carismáticos”, por serem espécies nocivas, repugnantes ou perigosas, tais como, as aranhas, escorpiões, sapos, lagartixas, serpentes, gambás e morcegos.

Os anfíbios anuros (sapos, rãs e pererecas) são os representantes da classe Amphibia são os mais conhecidos, o sapo-cururu (Rhinella spp.) seja o mais conhecido entre os leigos, este gênero representa várias espécies no Brasil, o espécime Rhinella schneideri (Figura 1), provavelmente seja o mais conhecido na Amazônia, conhecido popularmente na região da zona da mata por sapo-cururu ou sapo-boi.

Alguns aspectos negativos recaem sobre este espécime, muitas vezes ele é associado com a magia negra, quando pessoas capturam esse animal e costuram sua boca, surge a expressão “seu nome está na boca do sapo” referindo-se que a pessoa foi vítima de algum feitiço.

O sapo-cururu é um animal venenoso, apresenta glândulas paratoides na região dorsal, podendo causar envenenamento de forma passiva, caso seja mordido ou ingerido, isso acontece com cachorros.

Os anfíbios apresentam importante função nos ecossistemas sendo predadores de insetos, aranhas e pequenos vertebrados e não representando perigo para as pessoas.

Figura 2: Perereca-kambô (Phyllomedusa bicolor) utilizada na medicina tradicional por populações tradicionais na Amazônia. Foto: Luiz Turci

Algumas espécies de pererecas do gênero Filomedusa são usadas por populações tradicionais na Amazônia e também pessoas da área urbana estão fazendo uso do veneno como forma de tratamento de medicina tradicional (Figura 2).

Figura 3: Rã-touro (Lithobates catesbeianus). Foto: Fabíola Tomaz

Pele da rã-touro vem sendo utilizada como componente alternativo em tratamentos de ferimentos por conter peptídeos naturais destes tecidos, que são barreiras contra agentes infecciosos, melhorando o tratamento dos pacientes Figura 3.

Figura 4: Limpa-pasto (Drymarchon corais), preda roedores e outras serpentes peçonhentas de importância médica. Foto: Luiz Turci

para serpentina Drymarchon corais (Figura 4), conhecida popularmente na região da zona-da-mata, como limpa-pasto, não é peçonhenta, é amplamente distribuída pela Amazônia, trata-se de uma serpente de grande porte, podendo alcançar até 2,5 metros de tamanho, pode ocorrer em diferentes habitats.

Com maior ocorrência na zona rural, quando é avistada acabam sendo mortas pelos moradores, muitas vezes por ser confundida com uma espécie venenosa (Pico-de-jaca – Mudanças em Lachesis) e também por eventualmente predarem aves domésticas.

A serpente limpa-pasto (D. corais) é uma espécie generalista, se alimenta de uma ampla variedade de animais, incluindo outras serpentes, lagartos, anfíbios anuros, aves e pequenos mamíferos

Ações de Educação Ambiental visando informar os produtores rurais, que esta é uma espécie não-peçonhenta, não apresenta importância médica e que pode ajudar a controlar os roedores que podem transmitir doenças e causar prejuízos na produção e também elas se alimentam de outras serpentes peçonhentas de importância médica como as surucucus e jararacas, podem controlar a ocorrência de espécies peçonhentas na propriedade, podendo minimizar a chance de ocorrer um acidente ofídico.

Figura 5: Jararaca-da-Amazônia (Bothrops atrox), zona da mata, RO. Foto: Luiz Turci

Figura 6: Jararaca-da-Amazônia (Bothrops atrox), juvenil, zona da mata, RO. Foto: Luiz Turci

As serpentes são animais carnívoros e compõe um grupo de grande importância no ecossistema, sendo predadores de vários grupos animais, tais como: artrópodes, peixes, anfíbios, lagartos, outras serpentes, pássaros, marsupiais, roedores, morcegos, entre outros e também acabam sendo predadas por outros animais.

As espécies peçonhentas, o seu veneno apresenta um grande potencial farmacológico. Pode destacar o veneno da jararaca na produção de uma cola (cola de fibrina) para ser utilizada em cirurgias, o anti-hipertensivo Captopril.

Alguns mamíferos silvestres com maior contato com as pessoas nas áreas urbanas, os marsupiais (gambás) e os morcegos. Dentre os marsupiais, os gambás (gênero Didelfos) (Figura 7), eventualmente são mortos pela população quando encontrados.

Figura 7: Gambá (Didelphis marsupialis), zona da mata, Rondônia. Foto: GEHERPTO

Os gambás, são grandes dispersores de sementes em fragmentos florestais urbanos, também são predadores de serpentes peçonhentas como as cascavéis e jararacas, pois são imunes aos seus venenos.

Os morcegos são vistos de modo geral pela população de forma negativa, atribuída ao fato do hábito hematófago de algumas espécies e por serem potenciais transmissores de doenças como a Raiva humana, a grande falta de conhecimento pela população sobre os morcegos, fazem esses animais serem mal visto.

O morcego hematófago Rodada de Desmodus apresenta em sua saliva propriedades anticoagulantes e uma proteína (Draculina) foi isolada e apresenta potencial para uso terapêutico em doenças cardiovasculares.

Figura 8: Morcego frugívoro (Artibeus lituratus), esta espécie atua como dispersora de sementes. Foto: Jardson S. Aguiar

Os morcegos formam guildas nos ecossistemas apresentando hábitos alimentares diversificados, como espécies que se alimentam de néctar e pólen, fazem a polinização de plantas noturnas, espécies frugívoras atuando como dispersoras de sementes (Figura 8), demonstrando o importante papel desses animais para a recuperação de áreas florestais e outros são predadores de artrópodes, controlam populações de insetos.

Considerando as funções deles nos ecossistemas e suas interações com outros organismos e benefícios diretos que eles proporcionam ao ser humano. Com a intervenção de ações associadas a educação ambiental possa melhorar a percepção e atitudes dos seres humanos em relação a esses animais considerados “não carismáticos” contribuindo para a conservação dessas espécies.

O presente texto elaborado pelo Prof. Dr. Luiz Carlos Turci da Universidade Federal de Rondônia – UNIR campus de Rolim de Moura, RO, compõe parte de um artigo voltado à área de Educação Ambiental.

Por: Prof. Dr. Luiz Carlos Turci

FonteVia: FLORESTA NOTICIAS

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